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Mostrando postagens de 2017
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Eu, Nádia Gonzaga, cidadã brasileira, aceito o chamado do Blog de Carlos Britto e do Blog de Edenevaldo Alves, em defesa do nosso rio São Francisco. Não quero ser espectadora da morte do Velho Chico, que começou a ser anunciada com as obras da transposição, enganosamente batizada pelos donos do poder de integração das águas. 
Não acho que trazer as águas do Tocantins vai adiantar. Mas a gente não precisa de "acho" nessa batalha para salvar o São Francisco. Os biólogos, os agrônomos, os engenheiros florestais, enfim, os que estudam o rio precisam se manifestar. 
Lembremos de um fervoroso e fiel defensor do São Francisco, frei Dom Luiz Flávio Cappio, que chamou a atenção do Brasil e do mundo ao fazer greve de fome. Ele fez um sacrifício individual em nome do coletivo. Isso ocorreu na minha cidade natal, Cabrobó. Olha só, em setembro de 2005.

Me orgulho de ter sido uma das primeiras jornalistas, junto com Jota Menezes, Maria Lima, Sibelle Fonseca, Nilton Leal, Siméia Valverde, J…

Gabriel, Miguel, Drummond e Chico

Me deu vontade de escrever sobre anjos. Vontade essa que foi crescendo à medida em que fiquei curiosa a respeito da hierarquia desses seres. Nessa crônica minha, vão entrar Clarice Lispector, é claro; meus sobrinhos-netos Gabriel e Miguel; também Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque, Virginia Woolf e Anne Rice.

Sim, eu nunca pensei que eu teria sobrinhos-netos e que eu poderia ser tão próxima deles. Quando eu lia na biografia de alguém, por exemplo, fulana foi sobrinha neta de Katherine Mansfield eu pensava: sim, caramba e daí?
Bom, acabei descobrindo que se houver proximidade na família, se você realmente for uma pessoa próxima do seu irmão ou da sua irmã, os filhos dos filhos deles serão seus sobrinhos-netos e, pasme, você será muito colada a eles. Maravilha.
Voltando aos anjos. Existem anjos e arcanjos. Arcanjos mandam muito. Mandam nos anjos. Mas quem nós chamamos para nos proteger?
Nesse lance angelical de que estou falando, também há os querubins e os serafins. Andei pesquisa…

Há pessoas que são Pessoas

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Há pessoas que não são pessoas.  São pessoas tão pessoas, tão plenas, tão cheias que não cabem em si mesmas. T-r-a-n-s-b-o-r-d-a-m. Não há represa que as contenham. 
Elas não chegam. Inundam. Há pessoas que não são pessoas. São Pessoas. São acontecimentos.

< 13 do oito de 2017 >
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| Não havia um gesto sequer que pudesse exprimir nova realidade.

E, no meio dessa riqueza, estava Lucrécia Correia despenteada em “robe de chambre”, sem conseguir reinar sobre o tesouro, mal adivinhando até onde ia o magnífico porão. Perdera agora certos cuidados consigo, intensamente feliz, arrastando-se, espiando, tentando inventariar o novo mundo (...)
Parecia enfim não ter tempo para nada, como as pessoas. |
 = Clarice Lispector n`A Cidade Sitiada, p. 109 = = Drawing by Tom Azevedo: living is a red smile

Milisa

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| O que eu sinto eu não ajo. O que ajo não penso. O que penso não sinto. Do que sei sou ignorante. O que sinto não ignoro. Não me entendo e ajo como se me entendesse. |


= Clarice Lispector n´A Descoberta do Mundo, p. 506
= = Arte on photo by NgC.

O tecer das horas e o bordar das pétalas

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A tecedora das horas seria o título de uma crônica que versaria, pra variar, sobre um trecho da obra de Clarice Lispector, minha mais doce obsessão. O título se referiria a um fragmento do livro de CL, Um Sopro de Vida (Pulsações). O ato de tecer é mencionado quando o narrador diz que a personagem Angela Pralini não se satisfaz em escrever crônica para um jornal.

Antes de começar a escrever minha crônica para o blog, deparo-me com um texto de uma quase xará de Clarice, a também escritora Clarissa Loureiro, que inicia seu poema sobre a necessidade de bordar:
“É preciso aprender a bordar antes de morrer. Sim, é preciso.”
Alguns chamariam de coincidência o fato de Clarissa começar o poema com o ato de bordar, que tem muito a ver com o ato de tecer. Em vez de coincidência, prefiro chamar o ocorrido de borboleta lírica.
O que fica em mim quando leio esse poema? A sensação de bruma, neblina, mas também de um passeio por um jardim, pétalas lançadas ao vento.E de liberdade. Liberdade que é a aus…
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"Ele é grande, tem ombros largos, anda um pouco curvo: isto passa, é o peso da adolescência. Ele é lento, ele é profundo, ele semeia devagar. (...) Ele é desastrado, quebra coisas sem querer, pede desculpas com um meio sorriso assustado. É preciso ter paciência com os que são grandes como ele. Tanta paciência. Porque ele pode vir a ser esse silencioso desastrado a vida toda e não vai passar disso. É um dos tipos de adolescência mais perigosos: aquele em que muito cedo já se é um homem um pouco curvo, e também nele se sente a grandeza sem palavras."

= Clarice Lispector: A Descoberta do Mundo, p. 504, Francisco Alves Editora, 3a edição, 1992.

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Mãe, obrigada por nunca ter tentado substituir papai, até porque cada um de nós é insubstituível. Na falta dele, a senhora sempre fez o melhor. Viúva, dez filhos pra criar. És muito mais que uma mãe. És uma muralha. Uma muralha de amor. Te amo por tudo o que és, por tudo o que fostes, por tudo o que serás. Te amo de amor!

O Sol é para Todos ou To Kill a Mockingbird: Harper Lee

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“Essas pessoas certamente têm o direito de pensar assim, e têm todo o direito de ter sua opinião respeitada – considerou Atticus. – Mas antes de ser obrigado a viver com os outros, tenho de conviver comigo mesmo. A única coisa que não se deve curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa”.
O trecho acima é do livro O Sol é para Todos, de Harper Lee, norte-americana que fez um retrato cru e, ao mesmo tempo delicado das relações entre negros e brancos nos Estados Unidos. É mais do que um livro sobre tribunais. É também sobre os sabores e dissabores da infância. Como pode ser assustadora essa fase da vida. E maravilhosa. 
Nascida no estado do Alabama, Lee foi funcionária de empresas aéreas quando morou em Nova Iorque e teve contribuição fundamental no livro-reportagem A sangue frio (In cold blood), de Truman Capote, publicado em 1966.   
Nelle Harper Lee preferiu viver afastada dos holofotes da fama e morava reclusa na companhia dos livros que tanto adorava.
Cartaz/ divulgaç…

Sonhos famintos: leitura do conto A Cadeira de Balanço, de Clarissa Loureiro

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Parece ter sido feito pra se ler em voz alta, sentada na velha e confortável cadeira de balanço da minha vó Toinha. Leitora, sento-me num divã em que falo sobre a presença ou ausência do meu pai na minha vida. 

A personagem de Clarissa Loureiro, que não tem nome, está exausta depois de um dia pleno de atividades. Coisa que ela faz todo dia, enche-se de trabalho e no fim do dia, em vez de dormir, desmaia de tanto cansaço acumulado. A exemplo de Ana, em Amor, conto de Clarice Lispector, a personagem de Clarissa Loureiro tenta apagar a flama do dia, não para finalizar sua história, mas para preparar o início de um sonho que vai ter naquela noite.
O que deverá ser revelado não pode possuir rédeas, acontece no inconsciente da personagem “seduzida pelo som de sereia que afundou o meu passado no mais profundo inconsciente noturno”. Ego, Superego e Id empreendem uma batalha que é narrada numa atmosfera onírica que se inicia em “O relógio do meu pai ecoa e a velha cadeira de balanço começa a ran…

Errare humanum est

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Photo by Julia Margaret Cameron

Errar humanum est. Erraré humano.Não se trata do verbo relacionado às besteiras que cometemos, e sim do errar, do vagar, do flanar, do caminhar. Interessante notar que o errar do dito popular se refira às merdas que fazemos no caminho. Porque a gente só comete erros se tentar.
Errou? Continue. Seja um errante.
Tentar, lógico, implica buscar vários caminhos até encontrar o ideal, não necessariamente o mais fácil.
algumas pessoas sortudas que encontram rapidinho seus caminhos. Outras, a maioria de nós, sofre pra achar. Porque primeiro, é preciso se achar, se descobrir. Pra depois buscar. Nessa jornada, necessário é olhar pra dentro da gente. Difícil quando há tanto pra ver do lado de fora.
Uma forma de tentar se encontrar? Meditar.
Ao meditar, procuraremos. Procuraremos dentro de nós mesmos.
um grande risco nessa procura. U…

Quero o terreno

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"Não, não é que eu queira o sublime, nem as coisas que foram se tornando as palavras que me fazem dormir tranquila, mistura de perdão, de caridade vaga, nós que nos refugiamos no abstrato.
O que eu quero é muito mais áspero e mais difícil: quero o terreno".
Clarice Lispector no conto "Mineirinho".

Para minha irmã, Vera: radiante 2 de junho de 2017

Vera, minha irmã, você me deu meu primeiro modelo de letra cursiva para se imitar.

Você me deu meu primeiro casaco marrom.
Você me deu uma vassourinha que me devolveu a vida quando quase morri ao pegar sarampo.
Você me deu deu três sobrinhos maravilhosos e, por enquanto, três sobrinhos netos fabulosos...
Posso seguir dizendo ad infinitum tanta coisa que você me presenteou: substantivos concretos e abstratos e o que me acalenta a alma é a certeza do seu amor por mim.


Te amo ao infinito e além!
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Sinto, logo escrevo

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"Escrevo do modo que escrevo porque é a maneira como foi concebido e não saberia dizer

de outro modo. Não sou uma pessoa que possa relatar uma ideia passada. Não sei pôr no

 papel uma coisa que não estou sentindo mais."


= Clarice Lispector, frase encontrada na contracapa do livro “A escritura de Clarice Lispector”, de autoria de Olga de Sá.

Definições de angústia

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"Angústia pode ser não ter esperança na esperança. Ou conformar-se sem se resignar. Ou não se confessar nem a si próprio. Ou não ser o que realmente se é, e nunca se é. Angústia pode ser o desamparo de estar vivo. Pode ser também não ter coragem de ter angústia – e a fuga é outra angústia. Mas angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai."

= Clarice Lispector n´A Descoberta do Mundo, p. 473

E tenho a vida de meus mortos

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"Como é que ousaram dizer que eu mais vegeto que vivo? Só porque levo uma vida um pouco retirada das luzes do palco. Logo eu, que vivo a vida no seu elemento puro. Tão em contato estou com o inefável. Respiro profundamente Deus. E vivo muitas vidas. Não quero enumerar quantas vidas dos outros eu vivo. Mas sinto-as todas, todas respirando. E tenho a vida de meus mortos. A eles dedico muita meditação. Estou em pleno coração do mistério."
Clarice Lispector in A descoberta do mundo, p. 382 = Drawing by Tom Azevedo


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Manuscrito de Clarice Lispector e que, editado pela própria autora, aparece em "A Hora da Estrela".
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"Thoreau achava que o medo era a causa da ruína dos nossos momentos presentes. E
 também as assustadoras opiniões que nós temos de nós mesmos. Dizia ele: ´A opinião
 pública é uma tirana débil, se comparada à opinião que temos de nós mesmos´. É
 verdade: mesmo as pessoas cheias de segurança aparente julgam-se tão mal que no
 fundo estão alarmadas. E isso, na opinião de Thoreau, é grave, pois ´o que um homem
 pensa a respeito de si mesmo determina, ou melhor, revela seu destino´."

Clarice Lispector: A Descoberta do Mundo, p. 166. Crônica de 28 de dezembro de 1968.

Clarice et Mallarmé

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"Estou com saudade. Saudade de meus filhos, sim, carne de minha carne. Carne fraca e eu não li todos os livros. La chair est triste", escreveu Clarice Lispector n´A Via Crucis do Corpo
Fui pesquisar a frase e aí descubro que Lispector parafraseou lindamente Mallarmé no poema Brise Marine: 
"La chair est triste, hélas! et j´ai lu tous les livres."
Augusto de Campos assim traduziu o verso do poeta francês: 
"A carne é triste, sim, e eu li todos os livros."
= = Drawing by Tom Azevedo: oil pastel on paper.
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"Ela era sujeita a julgamento. Por isso não contou a ninguém. Se contasse, não
 acreditariam porque não acreditavam na realidade. Mas ela, que morava em
 Londres, onde os fantasmas existem nos becos escuros, sabia da verdade."

| Clarice Lispector n´A Via Crucis do Corpo, conto Miss Algrave, p. 13, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1984, 3ª edição |

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" (...) eu que quero sentir o sopro do  meu além. " 

= = Clarice Lispector. In Água Viva, p. 35

Missão: tomar conta do mundo

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"Estou cansada. Meu cansaço vem muito porque sou pessoa extremamente ocupada: tomo conta do mundo."
= Clarice Lispector: Água Viva, página 65.
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