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Valdomira

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- Você é índia branca que cupim que não rói.  Foi o que o sogro disse para a nora, Valdomira.

Para mim, Valdomira contou que esse foi o maior elogio que recebera em toda sua vida. Agora, aos 79 anos, ela me olha com um manto de um azul profundo do seu olhar. Seus olhos são duas cortinas em que consigo captar o pulsar da sua vida. Ela é cheia de bom humor e me diz que passou um mês na casa de alguém: - Vieram me buscar, sabe? Fui para uma casa bonita, um pouco longe daqui. Me trataram tão bem. Me deram tantos mimos. Faziam e traziam o meu café na cama, veja só.

- E a senhora não consegue se lembrar quem eram?

- Não. Mas isso não importa, né? O que importa mesmo é que passei uns dias maravilhosos com um casal bonito que tinha um filhinho. Será que era minha filha? Eu tenho uma filha e um filho.
Valdomira tem Alzheimer ou ficou caduca - como outrora dizia do idoso que esquecia de coisas e, principalmente, de pessoas.

all star azul

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é fácil. é só fugir. é só não pensar. faz isso. e você não vai chorar.  você não vai sofrer. fuja da dor. fuja da dor. fuja da dor. esqueça. não pense. como uma ausência pode ser tão presente? minha mãe se foi. e não haveria preparação pra essa dor. manuel bandeira me acode. a mesa posta. com cada coisa em seu lugar. como assim? a mesa não estava posta. nada está no lugar. o cara que mais se preparou para a morte na literatura brasileira foi ele. xô contar uma coisa, bandeira: -  não há preparação. não há. quando julieta morreu, drummond adoeceu. ficou doente. a doença instalou-se na alma do poeta. drummond morreu doze dias depois. sobreviver é para os fortes. que o diga Fernanda Montenegro. quem precisa cumprir o dever de ir até o fim que o diga. há os que não aguentam. não os julgo. precisam de auxílio. precisam de um amigo. e só basta um. só basta um. um. um amigo que traga um all star azul. num precisa nem trazer. basta que ele lembre que sempre haverá um all star azul.

"Que não lamentem os mortos: eles sabem o que fazem."

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| Manuscrito de A Hora da Estrela, Clarice Lispector |



Arquiteto Carlos Nascimento (in memoriam) será homenageado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo

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foto: acervo família Nascimento Passos O Conselho de Arquitetura e Urbanismo vai realizar hoje (20) uma solenidade de homenagem aos arquitetos que tiveram atuação destacada na história de Pernambuco. Para quem vive em Petrolina, é mais do que merecida a celebração ao arquiteto Carlos Nascimento (in memoriam): “o grande legado de Nascimento é que ele instrumentalizou o planejamento urbano, com a definição das principais avenidas e bairros que ainda iriam surgir”, explica o arquiteto Cosme Cavalcanti. 
Wandenkolk Tinoco também, justamente, está entre os homenageados. Formado na Faculdade de Belas Artes do Recife em 1958, inicia a carreira em meio à inauguração de um novo jeito de morar, o verticalizado: “Nós do Nordeste convivemos bem com os espaços ajardinados e os quintais. Gostamos do cheiro da terra.” É autor do edifício-referência, Villa da Praia, localizado em Boa Viagem.

Em Petrolina, Carlos Nascimento utilizou sua formação como urbanista para integrar as aven…

Fernanda Montenegro, como vai? Espero que bem!

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... assisti a três peças suas: The Flash and the Crash Days, Dona Doida e Dias Felizes.
Eu trabalhava no Acontece, quando ainda era um caderno dentro da Ilustrada, da Folha de S.Paulo. A melhor coisa da função era que a gente ganhava ingresso para assistir aos espetáculos. Quando o assessor de imprensa era bem gente com a gente, ele descolava um encontro como o que tivemos. Eu e meu amor tivemos a honra de conhecer você em São Paulo com Dias felizes.




Fernanda, nós conversamos por pouco tempo. Lembro que pedi a você que me falasse sobre uma doce obsessão, Clarice Lispector. Eu disse: - Me fala sobre a crônica que Clarice publicou no Jornal do Brasil, com uma carta sua, no auge da ditadura militar.
Você abriu um sorrisão e me contou um pouquinho, o tempo era escasso, você ia sair com seu marido, Fernando Torres, para jantar e estava exausta depois da peça, claro.
Obrigada por ter nos recebido. Obrigada por existir, por você ser essa Atriz (com letra maiúscula mesmo). Obrigada!
P.s.: ... pe…

Picasso, suspeito de roubar a Monalisa

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Num tô brincando não. Picasso, que foi batizado como Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso - foi tido como suspeito de roubar a Monalisa.

A tela de Leonardo da Vinci foi levada em 21 de agosto de 1911 do Museu do Louvre por Vincenzo Peruggia, italiano que foi funcionário do Louvre e que tinha instalado pessoalmente a porta de vidro que protegia a obra-prima. 

La Joconde, A Gioconda, como os franceses chamam a Mon lisa,  só foi recuperada em 10 de dezembro de 1913, quando Peruggia foi preso ao entregar a obra a um vendedor de antiguidades em Florença, Itália.

Noah Charney, autor do livro Os roubos da Monalisa, escreveu que esse foi o primeiro delito contra a propriedade a receber a atenção da mídia internacional.

Só a partir do roubo que a Monalisa virou sucesso mundial, pois sua foto foi estampada em tudo quanto é canto e em todos os meios disponíveis na época:  noticiários cinematográficos, caixas d…

A grande despedida

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Hipérbole. Parábola. Quem escreve, às vezes esquece que não são apenas figuras de linguagem. São figuras geométricas. Não é de figura geométrica que quero falar e sim sobre despedidas. Hamlet chorando a partida de Ofélia:


Que atirem Montões sem fim de terra sobre nós, até que o chão, Chamuscando a sua cabeça na zona ardente, Torne o Ossa uma verruga! (*) (**)
Ferreira Gullar quando soube da morte de Clarice Lispector:
Enquanto te enterravam no cemitério judeu do Caju (e o clarão de teu olhar soterrado resistindo ainda) o táxi corria comigo à borda da Lagoa na direção de Botafogo as pedras e as nuvens e as árvores no vento mostravam alegremente que não dependem de nós. (***)
W.H. Auden no filme Quatro casamentos e um funeral:
Parem todos os relógios, desliguem o telefone, Evitem o latido do cão com um osso suculento, Silenciem os pianos e com tambores lentos Tragam o caixão, deixem que o luto chore.
Deixem que os aviões voem em círculos altos Riscando no céu a mensagem: ‘Ele Está Morto’, P…