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"Ele é grande, tem ombros largos, anda um pouco curvo: isto passa, é o peso da adolescência. Ele é lento, ele é profundo, ele semeia devagar. (...) Ele é desastrado, quebra coisas sem querer, pede desculpas com um meio sorriso assustado. É preciso ter paciência com os que são grandes como ele. Tanta paciência. Porque ele pode vir a ser esse silencioso desastrado a vida toda e não vai passar disso. É um dos tipos de adolescência mais perigosos: aquele em que muito cedo já se é um homem um pouco curvo, e também nele se sente a grandeza sem palavras."

= Clarice Lispector: A Descoberta do Mundo, p. 504, Francisco Alves Editora, 3a edição, 1992.

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Mãe, obrigada por nunca ter tentado substituir papai, até porque cada um de nós é insubstituível. Na falta dele, a senhora sempre fez o melhor. Viúva, dez filhos pra criar. És muito mais que uma mãe. És uma muralha. Uma muralha de amor. Te amo por tudo o que és, por tudo o que fostes, por tudo o que serás. Te amo de amor!

O Sol é para Todos ou To Kill a Mockingbird: Harper Lee

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“Essas pessoas certamente têm o direito de pensar assim, e têm todo o direito de ter sua opinião respeitada – considerou Atticus. – Mas antes de ser obrigado a viver com os outros, tenho de conviver comigo mesmo. A única coisa que não se deve curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa”.
O trecho acima é do livro O Sol é para Todos, de Harper Lee, norte-americana que fez um retrato cru e, ao mesmo tempo delicado das relações entre negros e brancos nos Estados Unidos. É mais do que um livro sobre tribunais. É também sobre os sabores e dissabores da infância. Como pode ser assustadora essa fase da vida. E maravilhosa. 
Nascida no estado do Alabama, Lee foi funcionária de empresas aéreas quando morou em Nova Iorque e teve contribuição fundamental no livro-reportagem A sangue frio (In cold blood), de Truman Capote, publicado em 1966.   
Nelle Harper Lee preferiu viver afastada dos holofotes da fama e morava reclusa na companhia dos livros que tanto adorava.
Cartaz/ divulgaç…

Sonhos famintos: leitura do conto A Cadeira de Balanço, de Clarissa Loureiro

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Parece ter sido feito pra se ler em voz alta, sentada na velha e confortável cadeira de balanço da minha vó Toinha. Leitora, sento-me num divã em que falo sobre a presença ou ausência do meu pai na minha vida. 

A personagem de Clarissa Loureiro, que não tem nome, está exausta depois de um dia pleno de atividades. Coisa que ela faz todo dia, enche-se de trabalho e no fim do dia, em vez de dormir, desmaia de tanto cansaço acumulado. A exemplo de Ana, em Amor, conto de Clarice Lispector, a personagem de Clarissa Loureiro tenta apagar a flama do dia, não para finalizar sua história, mas para preparar o início de um sonho que vai ter naquela noite.
O que deverá ser revelado não pode possuir rédeas, acontece no inconsciente da personagem “seduzida pelo som de sereia que afundou o meu passado no mais profundo inconsciente noturno”. Ego, Superego e Id empreendem uma batalha que é narrada numa atmosfera onírica que se inicia em “O relógio do meu pai ecoa e a velha cadeira de balanço começa a ran…

Errare humanum est

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Photo by Julia Margaret Cameron

Errar humanum est. Erraré humano.Não se trata do verbo relacionado às besteiras que cometemos, e sim do errar, do vagar, do flanar, do caminhar. Interessante notar que o errar do dito popular se refira às merdas que fazemos no caminho. Porque a gente só comete erros se tentar.
Errou? Continue. Seja um errante.
Tentar, lógico, implica buscar vários caminhos até encontrar o ideal, não necessariamente o mais fácil.
algumas pessoas sortudas que encontram rapidinho seus caminhos. Outras, a maioria de nós, sofre pra achar. Porque primeiro, é preciso se achar, se descobrir. Pra depois buscar. Nessa jornada, necessário é olhar pra dentro da gente. Difícil quando há tanto pra ver do lado de fora.
Uma forma de tentar se encontrar? Meditar.
Ao meditar, procuraremos. Procuraremos dentro de nós mesmos.
um grande risco nessa procura. U…

Quero o terreno

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"Não, não é que eu queira o sublime, nem as coisas que foram se tornando as palavras que me fazem dormir tranquila, mistura de perdão, de caridade vaga, nós que nos refugiamos no abstrato.
O que eu quero é muito mais áspero e mais difícil: quero o terreno".
Clarice Lispector no conto "Mineirinho".

Para minha irmã, Vera: radiante 2 de junho de 2017

Vera, minha irmã, você me deu meu primeiro modelo de letra cursiva para se imitar.

Você me deu meu primeiro casaco marrom.
Você me deu uma vassourinha que me devolveu a vida quando quase morri ao pegar sarampo.
Você me deu deu três sobrinhos maravilhosos e, por enquanto, três sobrinhos netos fabulosos...
Posso seguir dizendo ad infinitum tanta coisa que você me presenteou: substantivos concretos e abstratos e o que me acalenta a alma é a certeza do seu amor por mim.


Te amo ao infinito e além!
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