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Quero o terreno

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"Não, não é que eu queira o sublime, nem as coisas que foram se tornando as palavras que me fazem dormir tranquila, mistura de perdão, de caridade vaga, nós que nos refugiamos no abstrato.
O que eu quero é muito mais áspero e mais difícil: quero o terreno".
Clarice Lispector no conto "Mineirinho".

Para minha irmã, Vera: radiante 2 de junho de 2017

Vera, minha irmã, você me deu meu primeiro modelo de letra cursiva para se imitar.

Você me deu meu primeiro casaco marrom.
Você me deu uma vassourinha que me devolveu a vida quando quase morri ao pegar sarampo.
Você me deu deu três sobrinhos maravilhosos e, por enquanto, três sobrinhos netos fabulosos...
Posso seguir dizendo ad infinitum tanta coisa que você me presenteou: substantivos concretos e abstratos e o que me acalenta a alma é a certeza do seu amor por mim.


Te amo ao infinito e além!
= = =

Sinto, logo escrevo

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"Escrevo do modo que escrevo porque é a maneira como foi concebido e não saberia dizer

de outro modo. Não sou uma pessoa que possa relatar uma ideia passada. Não sei pôr no

 papel uma coisa que não estou sentindo mais."


= Clarice Lispector, frase encontrada na contracapa do livro “A escritura de Clarice Lispector”, de autoria de Olga de Sá.

Definições de angústia

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"Angústia pode ser não ter esperança na esperança. Ou conformar-se sem se resignar. Ou não se confessar nem a si próprio. Ou não ser o que realmente se é, e nunca se é. Angústia pode ser o desamparo de estar vivo. Pode ser também não ter coragem de ter angústia – e a fuga é outra angústia. Mas angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai."

= Clarice Lispector n´A Descoberta do Mundo, p. 473

E tenho a vida de meus mortos

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"Como é que ousaram dizer que eu mais vegeto que vivo? Só porque levo uma vida um pouco retirada das luzes do palco. Logo eu, que vivo a vida no seu elemento puro. Tão em contato estou com o inefável. Respiro profundamente Deus. E vivo muitas vidas. Não quero enumerar quantas vidas dos outros eu vivo. Mas sinto-as todas, todas respirando. E tenho a vida de meus mortos. A eles dedico muita meditação. Estou em pleno coração do mistério."
Clarice Lispector in A descoberta do mundo, p. 382 = Drawing by Tom Azevedo


!!!!

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Manuscrito de Clarice Lispector e que, editado pela própria autora, aparece em "A Hora da Estrela".
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"Thoreau achava que o medo era a causa da ruína dos nossos momentos presentes. E
 também as assustadoras opiniões que nós temos de nós mesmos. Dizia ele: ´A opinião
 pública é uma tirana débil, se comparada à opinião que temos de nós mesmos´. É
 verdade: mesmo as pessoas cheias de segurança aparente julgam-se tão mal que no
 fundo estão alarmadas. E isso, na opinião de Thoreau, é grave, pois ´o que um homem
 pensa a respeito de si mesmo determina, ou melhor, revela seu destino´."

Clarice Lispector: A Descoberta do Mundo, p. 166. Crônica de 28 de dezembro de 1968.