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Eu, Nádia Gonzaga, cidadã brasileira, aceito o chamado do Blog de Carlos Britto e do Blog de Edenevaldo Alves, em defesa do nosso rio São Francisco. Não quero ser espectadora da morte do Velho Chico, que começou a ser anunciada com as obras da transposição, enganosamente batizada pelos donos do poder de integração das águas. 
Não acho que trazer as águas do Tocantins vai adiantar. Mas a gente não precisa de "acho" nessa batalha para salvar o São Francisco. Os biólogos, os agrônomos, os engenheiros florestais, enfim, os que estudam o rio precisam se manifestar. 
Lembremos de um fervoroso e fiel defensor do São Francisco, frei Dom Luiz Flávio Cappio, que chamou a atenção do Brasil e do mundo ao fazer greve de fome. Ele fez um sacrifício individual em nome do coletivo. Isso ocorreu na minha cidade natal, Cabrobó. Olha só, em setembro de 2005.

Me orgulho de ter sido uma das primeiras jornalistas, junto com Jota Menezes, Maria Lima, Sibelle Fonseca, Nilton Leal, Siméia Valverde, J…

Gabriel, Miguel, Drummond e Chico

Me deu vontade de escrever sobre anjos. Vontade essa que foi crescendo à medida em que fiquei curiosa a respeito da hierarquia desses seres. Nessa crônica minha, vão entrar Clarice Lispector, é claro; meus sobrinhos-netos Gabriel e Miguel; também Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque, Virginia Woolf e Anne Rice.

Sim, eu nunca pensei que eu teria sobrinhos-netos e que eu poderia ser tão próxima deles. Quando eu lia na biografia de alguém, por exemplo, fulana foi sobrinha neta de Katherine Mansfield eu pensava: sim, caramba e daí?
Bom, acabei descobrindo que se houver proximidade na família, se você realmente for uma pessoa próxima do seu irmão ou da sua irmã, os filhos dos filhos deles serão seus sobrinhos-netos e, pasme, você será muito colada a eles. Maravilha.
Voltando aos anjos. Existem anjos e arcanjos. Arcanjos mandam muito. Mandam nos anjos. Mas quem nós chamamos para nos proteger?
Nesse lance angelical de que estou falando, também há os querubins e os serafins. Andei pesquisa…

Há pessoas que são Pessoas

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Há pessoas que não são pessoas.  São pessoas tão pessoas, tão plenas, tão cheias que não cabem em si mesmas. T-r-a-n-s-b-o-r-d-a-m. Não há represa que as contenham. 
Elas não chegam. Inundam. Há pessoas que não são pessoas. São Pessoas. São acontecimentos.

< 13 do oito de 2017 >
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| Não havia um gesto sequer que pudesse exprimir nova realidade.

E, no meio dessa riqueza, estava Lucrécia Correia despenteada em “robe de chambre”, sem conseguir reinar sobre o tesouro, mal adivinhando até onde ia o magnífico porão. Perdera agora certos cuidados consigo, intensamente feliz, arrastando-se, espiando, tentando inventariar o novo mundo (...)
Parecia enfim não ter tempo para nada, como as pessoas. |
 = Clarice Lispector n`A Cidade Sitiada, p. 109 = = Drawing by Tom Azevedo: living is a red smile

Milisa

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| O que eu sinto eu não ajo. O que ajo não penso. O que penso não sinto. Do que sei sou ignorante. O que sinto não ignoro. Não me entendo e ajo como se me entendesse. |


= Clarice Lispector n´A Descoberta do Mundo, p. 506
= = Arte on photo by NgC.

O tecer das horas e o bordar das pétalas

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A tecedora das horas seria o título de uma crônica que versaria, pra variar, sobre um trecho da obra de Clarice Lispector, minha mais doce obsessão. O título se referiria a um fragmento do livro de CL, Um Sopro de Vida (Pulsações). O ato de tecer é mencionado quando o narrador diz que a personagem Angela Pralini não se satisfaz em escrever crônica para um jornal.

Antes de começar a escrever minha crônica para o blog, deparo-me com um texto de uma quase xará de Clarice, a também escritora Clarissa Loureiro, que inicia seu poema sobre a necessidade de bordar:
“É preciso aprender a bordar antes de morrer. Sim, é preciso.”
Alguns chamariam de coincidência o fato de Clarissa começar o poema com o ato de bordar, que tem muito a ver com o ato de tecer. Em vez de coincidência, prefiro chamar o ocorrido de borboleta lírica.
O que fica em mim quando leio esse poema? A sensação de bruma, neblina, mas também de um passeio por um jardim, pétalas lançadas ao vento.E de liberdade. Liberdade que é a aus…
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"Ele é grande, tem ombros largos, anda um pouco curvo: isto passa, é o peso da adolescência. Ele é lento, ele é profundo, ele semeia devagar. (...) Ele é desastrado, quebra coisas sem querer, pede desculpas com um meio sorriso assustado. É preciso ter paciência com os que são grandes como ele. Tanta paciência. Porque ele pode vir a ser esse silencioso desastrado a vida toda e não vai passar disso. É um dos tipos de adolescência mais perigosos: aquele em que muito cedo já se é um homem um pouco curvo, e também nele se sente a grandeza sem palavras."

= Clarice Lispector: A Descoberta do Mundo, p. 504, Francisco Alves Editora, 3a edição, 1992.

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