René Magritte “Vou te dizer uma coisa: não sei pintar nem melhor nem pior do que faço. Eu pinto um “isto”. E escrevo com “isto” – é tudo o que posso. Inquieta. Os litros de sangue que circulam nas veias. Os músculos se contraindo e retraindo. A aura do corpo em prenilúnio. Parambólica – o que quer que queira dizer essa palavra. Parambólica que sou. Não me posso resumir porque não se pode somar uma cadeira e duas maçãs. Eu sou uma cadeira e duas maçãs. E não me somo.” | Clarice Lispector, Água Viva, p. 79 |
É tudo sobre a busca. Desistir é cessar de existir. É tudo sobre a esperança. Como se diz esperança em inglês – o inseto grande e verde? É tudo sobre o amor. É tudo sobre a vida. Morte é o contrário da vida? E se tudo fosse uma só palavra? Vida e morte fundidos num só vocábulo. Isso facilitaria as coisas. Isso facilitaria as coisas? É legal que em espanhol, a interrogação vem no começo da sentença e aí é bom já saber que haverá questionamento. É tudo sobre questionar. Enquanto nos indagamos, fica cada vez mais claro que tudo é sobre o sabor. Sobre experimentar mais do que perguntar sobre o significado de tudo e de todos. Agora. É tudo sobre o agora que é tudo o que temos agora.
Não era aula que ele dava, era feitiçaria. Eu e uma amiga, Luciana Marinho, o chamávamos secretamente de bruxo. Tomaz Maciel, você foi meu amigo, acreditou em mim e sempre me quis por perto. Meu professor de literatura brasileira. Obrigada por ter sido sua aluna. Foram imensas as marcas que você deixou. A minha vontade de ser jornalista foi alimentada por suas aulas, sempre maravilhosas, sempre inesquecíveis.