Juntei Jesus Cristo, Aldoux Huxley, Batman e Papai Noel

O Gazzeta do São Francisco publicou no finalzinho do ano passado artigo meu intitulado Papai Noel, Aldous Huxley, Batman e Jesus Cristo. Foram tais as palavras que cometi:


O Papai Noel vai se tornar sinônimo do Natal? Parece ser essa a direção que tomamos: eu consumo, logo existo. Qual é a principal bússola da humanidade na primeira década do século 21? Cada vez mais, ouvimos as frases: preciso trocar o celular, comprar um novo relógio, o meu computador já está velho.

Em busca do prazer e da ausência total da dor, a sociedade que o escritor Aldous Huxley inventou no livro Admirável mundo novo teve que extinguir as emoções. O sexo foi abolido e a reprodução é feita apenas em laboratório. Escrito em 1932, o universo do inglês é de arrepiar: mostra uma sociedade `perfeita´ em que todos os membros possuem seu lugar e se satisfazem com as funções que ocupam na comunidade.

Agora, vejamos: o filme Batman, o cavaleiro das trevas em que o Coringa foi vivido pelo ator Heath Ledger. Começamos a assistir e esperamos encontrar ação, só que nos deparamos com um ensaio filosófico. Pasme: o vilão faz uma montanha de dinheiro e... toca fogo! Ele explica que o dinheiro não o interessa, que aquele pedaço de papel move o mundo mas ele não tá nem aí pra isso. Ciente da “força da grana que ergue e destrói coisas belas”, como diria o poeta Caetano Veloso. O vilão nos esbofeteia, a humanidade evoluiu tanto para chegar ao ponto de valorizar tão somente o papel-moeda? Um extraterrestre definiria assim o nosso planeta: na Terra, mata-se e nasce-se por dinheiro.

E onde é que Jesus Cristo entra nesse artigo? Ele aparece para lembrar que o amor é mais importante que qualquer outra coisa. O amor é um bem durável, infinito e quanto mais se usa, mais ele se expande. Multiplica-se em ondas, gera alegria e paz. Feliz 2010!

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