domingo, 28 de fevereiro de 2016


"
_  (Eu te amo)

_ (É isso então o que sou?)

_ (Você é o amor que eu tenho por você)

_ (Sinto que vou me reconhecer... estou quase me vendo. Falta tão pouco)

_ (Eu te amo)

_ (Ah, agora sim. Estou me vendo. Esta sou eu, então. Que retrato de corpo inteiro) "


Clarice Lispector. Para não esquecer, editora Siciliano, 1992, p. 45



sábado, 27 de fevereiro de 2016

Simplesmente podia









"Ela tinha um sobrenome a preservar: era Carla de Sousa e Santos. Eram importantes o

 “de” e o “e”: marcavam classe e quatrocentos anos de carioca. Vivia nas manadas de 

mulheres e homens que, sim, que simplesmente “podiam”. Podiam o quê? Ora, 

simplesmente podia."



Em "A bela e a fera", Francisco Alves editora, 4ª edição, p.106.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Eu sou essencialmente uma contraditória

Ronald B. Kitaj: valor, precio y beneficio, 1963



"Eu sou essencialmente uma contraditória.

O sereno grafismo abstrato.

 A banalidade como tema.

Oh como aspirava uma lânguida vida.

Árvore distorcida: bruxaria."


= Um Sopro de Vida (Pulsações). Francisco Alves Editora, 9ª edição, 1991, p. 159 

= = = 


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016


Andy Warhol: do it yourself, 1962


"Estou tão ampla. Sou coerente: meu cântico é profundo. Devagar. Mas crescendo. Está crescendo

mais ainda. Se crescer muito vira lua cheia e silêncio, e fantasmagórico chão lunar. À espreita do

tempo que pára. O que te escrevo é sério. Vai virar duro objeto imperecível. O que vem é imprevisto.

Para ser inutilmente sincera devo dizer que agora são seis e quinze da manhã."

(Clarice Lispector: Água Viva, Francisco Alves editora, 1990, p. 49)



terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Huuuuuuuuuuuum

Martin Kippenberger: El regreso de la madre muerta com nuevos problemas, 1984 


"Eu vos pergunto:
- Qual é o peso da luz?"


== Clarice Lispector. A hora da estrela, p. 106, Francisco Alves Editora. 1990.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Quem me constrói


Clarice Lispector foi quem mais eu li. Magistral no conto; inteira nos romances; leve nas crônicas. Sou apaixonada por tudo o que ela nos deixou. 

Virginia Woolf é a segunda pessoa que mais leio... Depois vieram Drummond, sempre demasiado humano. Manuel Bandeira me comove. Os contos de Katherine Mansfield me transportam.


... gosto das crônicas de Eduardo Galeano, que sabe delicadamente esquadrinhar a América Latina. 

Paul Auster, um passeio pelo acaso e pela celebração da vida. 

E por último, mas não o último, Nietzsche, esse abismo azul e contraditório.

Paulo Leminski



São Não 



não são

são não

rogai por nós

para que não

sejamos senão




| São Não: Paulo Leminski. Em “Paulo Leminski, o bandido que sabia latim”, de Toninho Vaz, p. 363, editora Record, 2001 |