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Mostrando postagens de Janeiro, 2016

Da arte de ouvir o silêncio

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“... a prece profunda não é aquela que pede, a prece mais profunda é que não pede mais...”

| Clarice Lispector, A legião estrangeira, conto Os desastres de Sofia, p. 22. Arte: Oskar Schlemmer: La escalera de la Bauhaus |
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“Lá fora Deus nas acácias.”


| Clarice Lispector, A legião estrangeira, p.31, conto “A repartição dos pães” |

Parambólica Clarice

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“Vou te dizer uma coisa: não sei pintar nem melhor nem pior do que faço. Eu pinto um “isto”. E
 escrevo com “isto” – é tudo o que posso. Inquieta. Os litros de sangue que circulam nas veias. Os
 músculos se contraindo e retraindo. A aura do corpo em prenilúnio. Parambólica – o que quer que
 queira dizer essa palavra. Parambólica que sou. Não  me posso resumir porque não se pode somar 
uma cadeira e duas maçãs. Eu sou uma cadeira e duas maçãs. E não me somo.”

| Clarice Lispector, Água Viva, p. 79 |
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"Atrás do pensamento - mais atrás ainda - está o teto que eu olhava enquanto infante. De repente 
chorava. Já era amor. Ou nem mesmo chorava. Ficava à espreita. A perscrutar o teto. O instante é o
 vasto ovo de vísceras mornas."

| Clarice Lispector, Água Viva, p. 47 |

Amar o que nos é estranho?

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"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: 
quero é uma verdade inventada."
| Clarice Lispector, Água Viva, p. 26 |

Anotações sobre o fracasso, já que tudo cai?

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"Quanto a mim, só sou verdadeiro quando estou sozinho. Quando eu era pequeno pensava
 que de um momento para outro eu cairia para fora do mundo. Por que as nuvens não 
caem, já que tudo cai? É que a gravidade é menor que a força do ar que as levanta. 
Inteligente, não é? Sim, mas caem um dia em chuva. É a minha vingança."

| A hora da estrela, p. 87 | Mirò. The guardian. |