sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Da arte de ouvir o silêncio

Oskar Schlemmer: La escalera de la Bauhaus, 1932



“... a prece profunda não é aquela que pede, a prece mais profunda é que não pede mais...”


| Clarice Lispector, A legião estrangeira, conto Os desastres de Sofia, p. 22. Arte: Oskar Schlemmer: La escalera de la Bauhaus | 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Mary Cassatt: "Niñas jugando en la playa", 1884


“Lá fora Deus nas acácias.”



| Clarice Lispector, A legião estrangeira, p.31, conto “A repartição dos pães” |

domingo, 17 de janeiro de 2016

Parambólica Clarice

René Magritte


“Vou te dizer uma coisa: não sei pintar nem melhor nem pior do que faço. Eu pinto um “isto”. E

 escrevo com “isto” – é tudo o que posso. Inquieta. Os litros de sangue que circulam nas veias. Os

 músculos se contraindo e retraindo. A aura do corpo em prenilúnio. Parambólica – o que quer que

 queira dizer essa palavra. Parambólica que sou. Não  me posso resumir porque não se pode somar 

uma cadeira e duas maçãs. Eu sou uma cadeira e duas maçãs. E não me somo.”


| Clarice Lispector, Água Viva, p. 79 |   

sábado, 16 de janeiro de 2016

Joan Miró


"Atrás do pensamento - mais atrás ainda - está o teto que eu olhava enquanto infante. De repente 

chorava. Já era amor. Ou nem mesmo chorava. Ficava à espreita. A perscrutar o teto. O instante é o

 vasto ovo de vísceras mornas."


| Clarice Lispector, Água Viva, p. 47 |

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Amar o que nos é estranho?



Dalí não há volta, Salvador: a persistência da memória



"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: 

quero é uma verdade inventada."

| Clarice Lispector, Água Viva, p. 26 |

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Anotações sobre o fracasso, já que tudo cai?





"Quanto a mim, só sou verdadeiro quando estou sozinho. Quando eu era pequeno pensava

 que de um momento para outro eu cairia para fora do mundo. Por que as nuvens não 

caem, já que tudo cai? É que a gravidade é menor que a força do ar que as levanta. 

Inteligente, não é? Sim, mas caem um dia em chuva. É a minha vingança."


| A hora da estrela, p. 87 | Mirò. The guardian. |