quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Tomaz Maciel, meu professor de literatura, se foi




Não era aula que ele dava, era feitiçaria. Eu e uma amiga, Luciana Marinho, o chamávamos secretamente de bruxo.

Tomaz Maciel, você foi meu amigo, acreditou em mim e sempre me quis por perto. Meu professor de literatura brasileira. Obrigada por ter sido sua aluna. 

Foram imensas as marcas que você deixou. A minha vontade de ser jornalista foi alimentada por suas aulas, sempre maravilhosas, sempre inesquecíveis.





quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Acabei de criar um verbo


Azul é a cor da espera: desenho de Tom Azevedo


Lispectuar: verbo. Sondar. Sondar-se.  Procurar. Procurar-se. Descobrir. Descobrir-se. Encontrar. Encontrar-se.  Revelar. Revelar-se.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

As máscaras nossas de cada dia





James Ensor, autor do desenho acima, diria para Clarice: - Todo artista é farto em máscaras!

Quantas máscaras usamos hoje? Na hora de deixar o filho no colégio? 

Ao cumprimentar o porteiro? Dona Maria da padaria? O caixa do banco?

Ao ver os pés do sem-teto que arrumou um teto na escadaria de um centro cultural no centro de Petrolina? 

O teto dele? Um lençol puído que deixou à mostra os pés descalços. Solenemente doridos.

Para tudo ou para nada, uma dose de Clarice Lispector:

"Foi para casa como uma foragida do mundo. Era inútil esconder: a verdade é que não sabia viver. Em casa estava agasalhante, ela se olhou ao espelho quando estava lavando as mãos e via a persona afivelada no seu rosto: a persona tinha um rosto parado de palhaço. Então lavou o rosto e com alívio estava de novo de alma nua."



= Em A Descoberta do Mundo, p. 151. 

sábado, 8 de agosto de 2015

Todos os contos de Clarice Lispector reunidos em inglês


Paul Gauguin: "De onde viemos? Que somos? Para onde vamos?"
Os contos de Clarice em inglês. Olha só, em tradução livre, o que a articulista do The Boston Globe escreveu sobre a obra reunida pelo biógrafo Benjamin Moser e recentemente publicada nos Estados Unidos:
Num último fluxo de consciência, Soul Storm, a última linha pode revelar que Lispector sabia que suas histórias eram bem radicais:  “Eu sei que eu devo parar, não por falta de palavras, mas porque essas e aquelas coisas em que somente eu pensei e não escrevi, não são normalmente publicadas em jornais”.
A articulista Rachel Shteir termina assim a resenha: Nós somos mais ricos por termos tido a oportunidade de ver o que Clarice Lispector pensou e publicou.

O artigo na íntegra: The complete stories
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