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Mostrando postagens de Junho, 2015

Nina Simone

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Que história essa de Nina Simone! Parte da vida dela está num documentário dirigido por Liz Garbus.

Ela foi batizada de Eunice Kathleen Waymon, mas teve que mudar de nome. Precisou, para sobreviver,  cantar a “música do diabo” em bares americanos e não queria que a mãe descobrisse.

A meta de Nina Simone era se tornar uma pianista clássica. Queria tocar Bach. Enfrentou preconceitos. Enfrentou a pobreza. Enfrentou o marido que batia nela. Foi defensora dos direitos dos negros nos Estados Unidos. Viva Nina Simone!

Definição engraçadinha

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Por você, eu dormiria de meia pra virar burguês...
Ele tem nove anos, e no trecho acima da música Por você, Barão Vermelho, mepergunta:
- O que é burguês?
- O significado de burguês?
Carambola, como vou explicar o que é burguês? Vou falar dos burgos, da Revolução Francesa, do Romantismo etc?
O silêncio perdura enquanto a canção continua e ele parece ter esquecido o assunto.
- Já sei! ... burguês é quem gosta de hambúrguer!

= = = 

O nosso I-pod era o rádio: carta aberta a David Bowie

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David, te dou pérolas e diamantes de todo o meu coração. Lá pelos anos oitenta, eu ouvia você pelas ondas que me chegavam pelo rádio. Quem consegue discordar da magia daquelas noites maravilhosamente insones?
Noites de adolescente em Petrolina, sertão de  Pernambuco. O rádio era nosso I-pod, i–phone, Samsung-galaxy, moto-g... Freddy está tão certo naquela canção, Radio Ga Ga! Eu era feliz... e sabia!
David, como isso aqui não é uma dissertação de mestrado, ouso afirmar que eu sei qual é a sua Pasárgada. A sua Pasárgada está localizada no espaço sideral. E eu posso provar com os títulos de algumas canções suas: Starman, Ziggy Stardust, Space oddity, Life on Mars?
Bowie, te ai lóvi iú. Não, não. Não porque o amor seja uma palavra antiquada e sim porque “o amor nos desafia a cuidar das pessoas no fim da noite, o amor nos desafia a mudar nosso jeito, nos desafia a cuidar de nós mesmos, esta é a nossa última dança, estes somos nós.” (Under pressure, trecho livremente traduzido)
Love, Nádia.
P…

O São João é o carnaval do Nordeste

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- Olha pro céu, meu amor, vê como ele tá lindo...
- Existe o verbo sanfonar?
- Sim!
Todo o interior do Brasil está conjugando esse danado: eu sanfono | tu sanfonas | ele sanfona | vós sanfonais | eles, elas sanfonam
São diversos os palcos que encontramos em Petrolina, Cabrobó, Lagoa Grande, Orocó, Salgueiro, Santa Maria da Boa Vista Bodocó, Juazeiro, Curaçá. A música está nas roças, ruas, praças e calçadas. 
O São João é o nosso carnaval! É feriado na véspera e no dia, como acontece com o Natal!
Forró do bom mesmo pra quem é da terrinha é forró pé-de-serra. Ele é feito com três pessoas: uma no triângulo, outra na sanfona e outra na zabumba. E a festa tá feita!
Posso afirmar com toda certeza que o pai do São João é Luiz Gonzaga. Foi ele quem mais cantou as alegrias e tristezas do nordestino.
Em Petrolina, Pernambuco, todo cidadão que se preze enfeita a casa, a rua, a loja. Pois que é tempo de acender ou reacender a fogueira nos nossos corações.
- Olha pro céu, meu amor, vê como ele tá lin…

A perda, segundo Elizabeth Bishop

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Uma arte  (Elizabeth Bishop)

A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

— Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

= Bishop, Elizabeth. O iceberg imaginário e outros poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 309. Tradução de Paulo Henriques Britto.


One Art
(Elizabeth Bishop)

T…

O pedreiro e o poeta

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Um pedreiro foi o responsável pela descoberta de uma pegadinha que Fernando Pessoa aplicou nos seus felizardos leitores. A decifração de um não tão claro enigma veio de um estudioso, mais tarde biógrafo arretado do multifacetado poeta português.
O jurista José Paulo Cavalcanti Filho me recebeu e um amigo para uma entrevista no seu escritório em Recife. O tema não era literatura, e sim algo relacionado à Constituição Federal, a direitos e deveres. Eu acho que ainda tenho o resultado dessa entrevista entre os meus velhos papéis.
Supergeneroso, José Paulo nos contou que sempre achou estranhos os seguintes versos de Fernando Pessoa:
O poeta é um fingidor Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente.
Ele disse que se perguntava, encafifado: 
- Como alguém pode fingir algo que realmente é verdade?
A resposta seria uma tarefa digna de grande detetive e essa investigação levaria anos. Falou que estava numa obra de um amigo e ouviu um pedreiro dizer pro ajudante: - T…

...

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Antes naufragar com um "não" do que naufragar com "nunca tentei".



Uma canção para John Fante

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John Fante (1909-1983) me foi apresentado por uma amiga, Natyara Amorim. Mil agradecimentos a ela são insuficientes.

- John, é na sua escrita que eu consigo surfar. Eu que nunca serei surfista. Pelo menos nesta vida. Prefiro apostar tudo na presente encarnação.
Trechos de “Espere a primavera, Bandini”:
|A incerteza da paz nascente agitou-se dentro das profundezas, dez milhões de quilômetros dentro dele.| |Odiava August por causa disso, por fazer um cavalo de batalha da sua pobreza.| |A senhora podia ser santa e firme, mas por que deviam todos eles sofrer? Sua mãe tinha Deus demais em si.| |Os dias profundos, os dias tristes.|
|Havia peixe para o jantar porque vovó Donna mandara cinco dólares pelo correio.|


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Festival de Besteira que Assola o País

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Pessoas, por favor, me digam que isso tudo é uma brincadeira. Em Pernambuco, uma lei foi criada, votada e aprovada determinando horários de malabarismo e outras manifestações culturais em sinais de trânsito e pelas ruas do Recife. Agora, um deputado de Goiás propõe mais uma lei esdrúxula: regulamentar horário de entrega de comida em casa!
Como eu queria que Sérgio Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta, estivesse aqui neste planeta. Ele resumiria bem o estado de espírito que envolve esses dias em que vivemos.

Lima Barreto e Mário de Andrade

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Eu tenho que compartilhar essa história! É sobre os brasileiríssimos escritores Lima Barreto e Mário de Andrade. Quem contou foi Antonio Arnoni Prado, uma narrativa que ele ouviu de Sérgio Buarque de Holanda e foi mais ou menos assim:
Sérgio Buarque de Holanda tinha ido ao Rio de Janeiro distribuir alguns exemplares da revista Klaxon, dos modernistas paulistas. Na livraria Schettino, ele encontrou nada mais nada menos Lima Barreto – ele estava dormindo lá, por generosidade de Chico Schettino, o dono.   Lima Barreto então revelou que estava devendo uma visita a Mário de Andrade, que tinha lido todos os seus livros. Foi assim que Lima Barreto se referiu a Mário:
... “brasileiro da minha raça e da minha cor, um intelectual diferente de todos os que conheci até agora nesse meio de literatos e de bacharéis.” 
(...) Ao contrário da má vontade e dos preconceitos dos nossos sabichões da gramática, ele valoriza o pouco que eu tinha criado, me incentivando a dizer tudo de uma vez, como se eu…