segunda-feira, 26 de maio de 2014

Tema: o instante

Em “Água Viva”, o questionamento: “Meu tema é o instante? Meu tema de vida. Procuro estar a par dele, divido-me em tantas vezes quanto os instantes decorrem”. A urgência e necessidade de fixar os nascimentos e mortes dos instantes que chegam constituídos de dor e alegria dilaceram e, ao mesmo tempo, maravilham a escritora Clarice Lispector.


Extraído de “A crônica segundo Clarice Lispector”, p. 18.

O violinista, obra de Marc Chagall

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O escritor José Luiz Passos ensina técnicas do conto durante o Clisertão, em Petrolina

Autor premiado de “O sonâmbulo amador”, José Luiz Passos nos levou pelos labirintos da feitura do conto.


Presenteou-nos com a leitura de Moacir Scliar, Graciliano Ramos e nos fez ver como são necessários os jardins de Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Machado de Assis, Mário de Andrade, Murilo Rubião e Osman Lins.


Obrigada, Zé Luiz!


domingo, 4 de maio de 2014

Há quase 40 anos


Capa da primeira edição (1974) à esquerda 
O bilhete do poeta 
Transcrição do bilhete de Carlos Drummond de Andrade para Clarice Lispector depois que ele recebeu exemplar de “Onde estivestes de noite?”

Rio, 5 de maio de 1974.

Querida Clarice:

Que impressão me deixou o seu livro:
Tentei exprimi-la nestas palavras:

- Onde estivestes de noite
que de manhã regresseis
com o ultra-mundo nas veias,
entre flores abissais?

- Estivemos no mais longe
que a letra pode alcançar :
lendo o livro de Clarice,
mistério e chave do ar.

Obrigado, amiga: o mais carinhoso abraço de admiração do Carlos.

=== A cópia do bilhete está em “Clarice Fotobiografia”, de autoria de Nádia Battella Gotlib, página 403.


sexta-feira, 2 de maio de 2014

A prece



“Com a mão na boca, horrorizada, eu corria, corria para nunca mais parar, a prece profunda não é aquela que pede, a prece mais profunda é a que não pede mais – eu corria, eu corria muito espantada.”


Clarice Lispector em “Os desastres de Sofia”, conto de “A Legião Estrangeira”, p. 22.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Porque os escritores também são operários

Quadro de Tarsila do Amaral
- Clarice, mon amour, hoje é Dia Mundial do Trabalho, mas eu prefiro chamar essa data de Dia do Trabalhador. A propósito, você tem algo neste Primeiro de Maio de 2014? Você quer falar sobre Macabéa?

- “Agora não é confortável: para falar da moça tenho que não fazer a barba durante dias e adquirir olheiras escuras por dormir pouco, só cochilar de pura exaustão, sou um trabalhador manual.”

- Considero  “A Hora da Estrela” um tributo seu ao nordeste, à nordestina, à vida que só tira, só tira, só tira. Por isso, a necessidade que Macabéa tem de pensar num tempo em que foi feliz, apesar dos cascudos que a tia dela lhe dava.


 - “Tinha saudade de quando era pequena – farofa seca – e pensava que fora feliz. Na verdade por pior a infância é sempre encantada, que susto. Nunca se queixava de nada, sabia que as coisas são assim mesmo e – quem organizou a terra dos homens? Na certa mereceria um dia o céu dos oblíquos onde só entra quem é torto. Aliás não é entrar no céu, é oblíquo na terra mesmo.”
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